Blog de WatchGuard

Na Era Digital, a Segurança Começa na Identidade

As identidades são o novo perímetro. Descubra porque é que uma estratégia de segurança centrada na identidade é hoje mais importante do que nunca.

Há alguns anos, um endereço IP era suficiente para identificar utilizadores online — quase como uma morada física que indicava onde se encontravam. Hoje, porém, os utilizadores já não dependem de um único dispositivo ou localização, o que torna muito mais difícil para as organizações reconhecer quem está a aceder aos seus sistemas, a partir de onde e com que nível de risco. A superfície de ataque expandiu-se para além de servidores, redes e endpoints, estendendo-se às identidades digitais (humanas, de máquina, híbridas e agênticas — IA com capacidade para agir de forma autónoma). Apesar desta evolução tecnológica, muitas empresas continuam a gerir identidades da mesma forma que há uma década; esta falta de adaptação transformou a identidade num dos maiores desafios da cibersegurança.

Hoje, um atacante já não precisa de invadir um sistema se conseguir simplesmente iniciar sessão como um utilizador legítimo. De acordo com o Cost of a Data Breach Report 2025 da IBM, o phishing foi o vetor inicial mais comum nas violações analisadas (16%), e as violações causadas por credenciais comprometidas demoraram, em média, 186 dias a ser detetadas. Estes números evidenciam a falta de visibilidade que muitas organizações ainda têm sobre a forma como as credenciais são utilizadas e a necessidade de reforçar os controlos de identidade.

Porque é que a Identidade é o Novo Perímetro

A identidade tornou-se central para a segurança empresarial não por acaso, mas como resultado de vários fatores:

  • A normalização do trabalho remoto e híbrido no período pós-COVID.
  • A adoção de serviços SaaS e de cloud pelas empresas.
  • O aumento e a diversificação de dispositivos impulsionados pela transformação digital.
  • A complexidade da identidade federada em ambientes com múltiplos fornecedores e mecanismos de acesso, que dificulta a gestão e pode ser explorada por atacantes.

Os cibercriminosos sabem que muitas organizações têm dificuldades em gerir e proteger adequadamente as identidades digitais e que explorá-las é altamente lucrativo. Consequentemente, ataques baseados em identidade — como o roubo de credenciais, a escalada de privilégios e o movimento lateral autenticado — tornaram-se algumas das vias mais simples para obter acesso inicial.

As seis vulnerabilidades de identidade mais comuns são:

  • Contas desatualizadas, órfãs, abandonadas ou não utilizadas.
  • Palavras-passe predefinidas, credenciais partilhadas ou expostas na dark web.
  • Identidades sobredimensionadas ou contas com permissões excessivas.
  • Autenticação multifatorial (MFA) fraca ou inexistente, especialmente em contas root ou de administradores com elevados privilégios.
  • Identidades ocultas criadas fora da supervisão do departamento de TI.
  • Permissões mal configuradas que criam caminhos ocultos para a escalada de privilégios.

Equilibrar Segurança e Experiência do Utilizador

Adotar uma estratégia de segurança centrada na identidade é essencial para reduzir o risco, prevenir acessos não autorizados e reforçar a confiança que sustenta a proteção de toda a rede. No entanto, muitos problemas relacionados com a identidade resultam da forma como as pessoas reagem às medidas de segurança implementadas. Em muitos casos, os utilizadores não quebram as regras por descuido, mas por receio de perder acesso, cometer erros ou ficar bloqueados. Essa preocupação imediata sobrepõe-se a uma ameaça de cibersegurança sentida como distante. Quando as medidas de segurança criam fricção, o instinto natural é evitá-las.

É por isso que as organizações precisam de soluções que conciliem segurança com facilidade de utilização: métodos de MFA ágeis (como notificações push, códigos QR e palavras-passe de utilização única), single sign-on (SSO) e gestão baseada na cloud que simplifique a adoção. Os managed service providers (MSPs) desempenham um papel fundamental ao orientar os seus clientes neste processo, ajudando-os a integrar segurança, confiança e uma experiência de utilização fluida. Ao fazê-lo, os MSPs não só reforçam a postura de segurança das organizações, como também consolidam a sua posição como parceiros estratégicos capazes de disponibilizar ambientes mais seguros, eficientes e centrados no utilizador.

Num mundo em que as identidades se tornaram o novo perímetro das organizações, estabelecer uma estratégia de segurança que as coloque no centro é o passo mais decisivo para construir ambientes verdadeiramente protegidos e preparados para o futuro.

Para saber mais sobre como proteger as identidades da sua empresa, consulte os seguintes artigos no nosso blog: